Rapidez, criação e compartilhamento de informações, acessibilidade são umas das características da geração atual. Porém, há um grupo grande de artistas e empresas que parecem não concordar muito com isso. O Marco Civil da Internet, uma iniciativa legislativa que tem como objetivo democratizar as informações e conteúdos da Internet para todos, vem querendo dar mais liberdade virtual para as pessoas desde outubro de 2013 e foi aprovado nesta última terça-feira (22). Mas falando em músicos e gravadoras, como fica o CD nessa história?
Discos de outro e platina na parede eram sinônimos de recordes de vendagem, sendo vinil ou CD. Até a década de 90, artistas como Michael Jackson, Madonna, Guns N' Roses e Metallica vendiam milhões de cópias, eis que em 1996 surge a pirataria, e mais tarde junto com download legalizado, mudaram o cenário do mundo da música. Em 2013, a venda de CDs caiu 15,5% no Brasil, segundo relatório da ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos) artistas como Roberto Carlos, Padre Marcelo Rossi e Paula Fernandes ficaram no topo das vendas no formato físico de CD, sendo que o religioso e o "Rei" das canções românticas venderam seu trabalho a R$9,90.
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| (Foto: Divulgação) |
Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, afirmou no evento Campus Party Brasil 2014 que CD não dá mais dinheiro. O músico criticou a indústria fonográfica: "Eles não conseguiram acompanhar o que aconteceu depois que a Internet surgiu. Ao invés de perceberem que as pessoas não aceitariam mais pagar pelas mesmas músicas de novo e de novo, eles tentaram impor um modelo de consumo. Quando isso deu errado, acusaram os próprios fãs de roubo. Mandaram gente para cadeia. Mas o erro estava na ideia de que eles podiam dizer como os consumidores deviam se comportar", disse o cantor. Lars Ulrich, baterista do Metallica, é um dos exemplos, já que processou o fã Shawn Fanning, criador do Napster, programa de compartilhamento de arquivos em rede P2P criado em 1999. Dickinson também afirmou: “Com a popularização da música na Internet, muito mais gente hoje tem vontade de ir aos shows, e isso dá muito dinheiro. Basta que as bandas façam músicas novas, porque só os fãs mais ardorosos vão ir no mesmo show mais de uma vez”. Bem moderninho esse Bruce, não?
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| Lars Ulrich, baterista do Metallica, durante o processo contra o Napster |
Parece que muitas bandas clássicas não percebem que os fãs que lotam seus shows têm como sua maioria pessoas que baixaram sua musica ilegalmente, mas pagaram para vê-los.
Simone Essi, crítica musical do Espaço 50, um coletivo de cultura e arte em São Bernardo do Campo, diz que o preço dos CDs influência na crise de vendas do produto: "O mercado independente, que chamam de mercado pirata, flui. O camelô vende o CD por R$2,50 ou R$5,00 e ele flui. A grande aplicação dos impostos, mais a indústria querendo ganhar rios de dinheiro em cima do CD, faz com que ele saia com um valor muito alto e ninguém quer mais comprar". Ela também diz que para uma banda que está começando agora, não é difícil fazer seu próprio CD: "Hoje você pode fazer seu CD em casa com uma boa qualidade, a arte dele e você pode dar como brinde ao público de seus shows. O valor sai bem baixo. O CD não é mais um caminho de se buscar o retorno financeiro, então se aplica em shows e outras saídas para que as bandas e artistas grandes levantem dinheiro".
Segundo a crítica, a aprovação do Marco Civil da Internet não vai interferir o marcado independente: "O CD dentro do meio independente não é atingindo, agora para o pessoal que quer demarcar território da cultura antiga de não deixar o conteúdo livre e não compartilhar informações, vai se doer. Não adianta fechar a Internet e apenas um pequeno grupo de brasileiros, como o Roberto Carlos, ganhar dinheiro, e quantos artistas que não conseguem viver do seu trabalho? A Internet é livre e deve continuar livre", defende Simone Essi.
A equipe ClipsterZ gostaria de agradecer à Simone Essi pela entrevista concedida.